O VÍRUS ERRANTE


Tem um vírus circulando por aí bastante resistente. Mais do que assustador. Impressionantemente apto a tornar alguns indivíduos cegos diante de quaisquer tipos de asneiras. Sejam as baboseiras históricas que circulam no Instituto Rio Branco ou as de incompetência sem analogias.

Vai da confusão mental à canalhice mais recôndita, daquela que ornamenta belos discursos morais e de defesa da democracia.

O estado de confusão mental é caracterizado pela incapacidade de pensar com objetividade. A truncagem que leva algumas pessoas a colocar açúcar na salada, por sal no café ou usar um garfo para tomar uma sopa, pode parecer o início de uma demência como mal de Alzheimer ou o resultado de uma histriônica reunião ministerial da corte de ministros deste governo que aí está.

E já foi visto nesta horda de malfeitores todo tipo de demência comprovada e reprovável sem que uma parcela da população superasse a própria demência cognitiva, o que provoca entre amigos e parentes dessa minúscula massa humana, uma sensação meio sub-humana de desespero.

Essa galera que emerge como uma epidemia e fica circulando aos domingos na Av. Atlântica ou na Paulista de forma ameaçadora, usurpa das camisas verde-amarelas, o significado de nosso símbolo patriótico.

Trata-se de uma minoria barulhenta e apoplética, com caras de justiceiros e comportamentos de milicianos-zumbis. Atacam princípios democráticos como os mortos vivos de walking dead atacavam os humanos. Tudo que é científico, diverso ou multicultural é dilacerado pela razão estúpida, e o que sobra, é devorado por uma espécie burlesca de reginaduartismo.

A moléstia vaga muito além da confusão de raciocínio, da manifestação espontânea de uma oligofrenia ruidosa ou mesmo de uma tonitroante imbecilidade ideológica.

Tenho dúvidas se isso pode ser definido como extrema direita tal o grau de demência. Mas o fato é que esses propagadores de desesperança histórica são esquisitas amebas com discursos imponentes de ordem. Emanam uma fanática e falsificada defesa de Deus, da Pátria e da família.

Há muito de dúvida na noção que atribui a essa pandemia razões científicas. Talvez essa pessoas não tenham adquirido vírus nenhum agora. Talvez tenham sido desde sempre amebas. Talvez uma parte do cérebro estivesse colapsada por falta de saneamento intelectivo e todo esse manancial pútrido viesse a explodir somente agora.

Mas o que preocupa, não é o fato dessa patologia contaminar outras pessoas numa escala suficiente pra ficar circulando a ponto de invadir hospitais. Não só preocupa os impropérios acusatórios nas redes sociais, os desfiles dos trezentos da Sara Winter com tochas de fogo, as palavras de ordem tal qual os supremacistas americanos ou a feérica queima de fogos com xingamentos na frente do STF.

O que preocupa é a notoriedade que isso representa.

Incompreensível imaginar que pessoas que deveriam estar usando camisa de força, ou presas por estelionato, estão ganhando fama suficiente para serem prováveis parlamentares amanhã. Ou ministros de Estado. Um deles declarou um falso diploma de Yale, outra, uma ministra, um doutorado que justificou posteriormente como sendo da universidade de deus. Agora, o recém nomeado ministro da educação, declara um pós doutorado que não podia ter porque o doutorado não era real e se baseava num mestrado fraudado. Para completar a FGV contesta o fato dele ter sido professor da instituição. E o Presidente da República chama isso de inconsistências.

A inconsistência curricular do Decoteli é apenas uma "gripezinha".

Essa patologia específica de um coletivo com ideias incomuns, faz parecer normal a visão de Jesus subindo num pé de goiaba, a necessidade de combater um comunismo inexistente, a imagem de crianças utilizando mamadeiras penianas em creches públicas ou mesmo a noção histórica de auto-escravidão. Tudo é normal neste governo.

Terraplanismo, globalismo e pseudocovidimo são algumas vertentes da nova necropolítica. O terraplanismo defende a teoria de que a terra é plana e não redonda. Globalismo é a globalização econômica que passou a ser pilotada pelo marxismo cultural. E anticovidismo é a noção de que a pandemia mundial que ataca mais de 180 países, infectou mais de 8 milhões de pessoas e matou mais de 500 mil é apenas uma "gripezinha".

É difícil até mesmo juntar o registro de tantos atos absurdos e promover um diagnóstico preciso do desatino.

Seja como for, a alcateia dos militares, que fornece proteção e companhia ao lobo errante, tem muito de similaridade ideocrática. Por isso ainda meio que aceita e meio que impõe o ritmo da marcha. Porém, uma parte da grande alcateia está adquirindo imunidade e está se dividindo e percebendo que mais do que uma pandemia esse governo é um pandemônio.

Resta porém, uma pergunta como esperança: poderá um burro errante uivar feliz e solitário para a lua e receber o calor dessa alcateia?