Após sete décadas aprendi a desconfiar das trombetas. O fim dos tempos, na imaginação devota, sempre foi barulhento: Nostradamus, purgatório, inferno, satanás, inundações, terremotos, a eleição de um fascista. Nenhum fascista se nomeia fascista ou prenuncia o fim dos tempos. Mas a história — essa tergiversadora profissional — prefere outro figurino. Há o fim-de-tempos-ruído, o das catástrofes de cinema, que dura duas horas e termina com pipoca. Há o fim-de-tempos-planilha,